Princípio da Descrença (abreviarei para "PD") é uma expressão utilizada na introdução dos eventos e publicações da conscienciologia, o qual postula que o interlocutor não acredite em nada, nem em ninguém, mas experimente e tenha experiências pessoais para poder avaliar a veracidade do que lhe é informado.
O PD é o principal slogan das instituições conscienciológicas. Por várias vezes, durante as conferências de Waldo Vieira, escutei-o falar de como ele "metia o pau" nos organizadores de atividades quando os mesmos se esqueciam de afixar um banner com aquele princípio em local bem visível ao público. Segundo Vieira, o princípio foi-lhe passado pelo "Transmentor" - um espírito evoluído que o acompanha há várias vidas - ainda na adolescência. Embora não haja "lei" escrita a esse respeito, pode-se dizer que, por força da tradição, a apresentação do PD ao público em qualquer atividade conscienciológica é praticamente obrigatória.
O hábito faz o monge. O uso repetitivo de um procedimento o transforma em rito. Conforme o rito vai se transformando em tradição, praticamente compulsória, a reflexão sobre o mesmo se torna dispensável ou, até mesmo, indesejável, já que a reflexão convida a uma relativização, transformação, atualização ou seja, ameaça a própria tradição e as forças que se construíram em torno dela. Com o passar do tempo, aquela frase que era a antessala da reflexão do grupo vai se tornando uma bandeira, hasteada "religiosamente" pela conscienciologia. Sua função de abrir discussões epistemológicas ou metodológicas sobre o problema da crença, do conhecimento, do experimento e da experiência se esvai, e deixa lugar para o ritual de reforço da identidade coletiva e a busca de passar uma imagem não dogmática ao público.
Por isso, se você conviver e discutir por algum tempo com conscienciólogos, observará quando o PD é usado e quando ele não é usado:
O PD é o principal slogan das instituições conscienciológicas. Por várias vezes, durante as conferências de Waldo Vieira, escutei-o falar de como ele "metia o pau" nos organizadores de atividades quando os mesmos se esqueciam de afixar um banner com aquele princípio em local bem visível ao público. Segundo Vieira, o princípio foi-lhe passado pelo "Transmentor" - um espírito evoluído que o acompanha há várias vidas - ainda na adolescência. Embora não haja "lei" escrita a esse respeito, pode-se dizer que, por força da tradição, a apresentação do PD ao público em qualquer atividade conscienciológica é praticamente obrigatória.
O hábito faz o monge. O uso repetitivo de um procedimento o transforma em rito. Conforme o rito vai se transformando em tradição, praticamente compulsória, a reflexão sobre o mesmo se torna dispensável ou, até mesmo, indesejável, já que a reflexão convida a uma relativização, transformação, atualização ou seja, ameaça a própria tradição e as forças que se construíram em torno dela. Com o passar do tempo, aquela frase que era a antessala da reflexão do grupo vai se tornando uma bandeira, hasteada "religiosamente" pela conscienciologia. Sua função de abrir discussões epistemológicas ou metodológicas sobre o problema da crença, do conhecimento, do experimento e da experiência se esvai, e deixa lugar para o ritual de reforço da identidade coletiva e a busca de passar uma imagem não dogmática ao público.Por isso, se você conviver e discutir por algum tempo com conscienciólogos, observará quando o PD é usado e quando ele não é usado:
- O PD não é usado para fomentar dúvidas, questionamentos, críticas ou contrapontos às ideias de Waldo Vieira e demais autores (que basicamente fazem uma reescritura ou exegese das mesmas ideias). Você observará que os voluntários dizem o contrário. Todos dirão "eu não concordo com tudo que Vieira fala". Entretanto, você não encontrará a discordância em lugar nenhum. É como se a dúvida fosse um fenômeno para ser mantido no foro íntimo.
- O PD não é usado para se construir conhecimento através de experiência pessoal. Pessoas têm experiências pessoais diferentes daquelas de Vieira. Para usar um em milhares de exemplos, muitas pessoas escrevem sobre seus encontros com Deus. Essa seria considerada, pela Conscienciologia, uma experiência mal-interpretada. Poderiam dizer que a pessoa não encontrou Deus, mas sim uma "consciência extrafísica evoluída" ou teve uma "expansão de consciência". Ou seja, as experiências pessoais válidas são aquelas que confirmem a visão de mundo conscienciológica.
- O PD é usado para abafar uma discussão. Em um debate, se o conscienciólogo não tiver argumentos para responder, pode sair pela tangente dizendo "tenha suas experiências pessoais". É quase como dizer "vamos encerrar por aqui, você fica com a sua verdade e eu com a minha". Neste sentido, ela é uma religião, um culto, algo a ser adorado e mantido intocado. Voluntários do "baixo escalão" são considerados (por si próprios e pelos demais) com pouca experiência para poderem refutar alguma ideia de Waldo Vieira ou outros do alto escalão.
- O PD é usado para fazer dois pesos e duas medidas. A experiência se torna fonte de verdade em alguns casos, e não em outros. Por exemplo, se você fala que o "estado vibracional" não é uma técnica tão relevante para a saúde pessoal, eu posso discordar dizendo que esta é "a sua experiência" (no sentido de que é apenas a sua experiência, não sendo representativa para o todo). Mas também posso dizer que o estado vibracional é relevante, sim, justificando que é com base "na minha experiência". Ou seja, a minha experiência serve de fundamento para uma afirmação mas a sua não serve.
Você já vivenciou alguma situação na qual apresentou sua descrença, discordância ou contraponto a alguma ideia da Conscienciologia? Como foi a experiência?
Imagens: Lauane de Melo, Rafael Mussolini.

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